Dores crônicas têm solução?

ORTOPEDIA

Dores crônicas têm solução?

Você tem uma dor que não consegue resolver? Fez vários tratamentos, mas o sofrimento volta? Tem uma dor há tanto tempo que se acostumou com ela? Vejo isso com muita frequência no consultório de ortopedia e passei a observar o paciente como um todo e não apenas o relato da dor ou a região dolorida. Observei que a grande maioria apresentava outros problemas associados e, embora isso fosse bastante significativo, o paciente não dava tanta importância, afinal o que o mais incomodava era a dor que o motivou procurar uma ajuda médica.

Mas qual seria a origem do atual problema? Estou falando de fatores estressores, situações as quais somos submetidos diariamente. Por exemplo, um problema no trabalho, em casa ou particular, perda familiar ou de alguém próximo, enfim, me refiro ao estresse, ansiedade e/ou depressão. Muitas pessoas são ansiosas e estressadas, porém pouquíssimas se dão conta disso, acham que é normal. O que não sabemos é que esse desequilíbrio emocional diário, às custas do que chamamos de “estresse ambiental”, afeta diretamente o nosso sistema nervoso central.

Hoje se sabe que a principal repercussão psicossomática do estresse é a dor. Desta forma, quanto mais estresse, ansiedade, nervosismo e/ou depressão, teremos mais dor e menos imunidade. Por que isso ocorre? Nosso organismo está constantemente em busca de um equilíbrio para realizar sua principal função: manter-se vivo! Quando algo afeta esse equilíbrio, o organismo realiza mudanças no intuito de preservar-se equilibrado e em funcionamento. Infelizmente, nem todas as mudanças que nosso organismo realiza de maneira autônoma (você não controla), são benéficas ou agradáveis.

Quem controla tais funções (mudanças adaptativas), é o sistema nervoso autônomo, responsável por controlar todo o funcionamento de seu organismo. Simplificando o raciocínio, se ele não funciona direito, você também não. Descrevo exemplos bem comuns. O cérebro é a região que alerta o resto do organismo sobre o excesso de adrenalina, que é um hormônio secretado pelas glândulas suprarrenais (localizadas acima dos rins). Em momentos de “estresse”, as suprarrenais secretam quantidades abundantes deste hormônio que prepara o organismo para grandes esforços físicos, estimulando o coração, elevando a pressão arterial, relaxando certos músculos e contraindo outros.

Esse processo pode diminuir a oxigenação cerebral, causando insônia, enxaqueca, dificuldade de concentração e mais ansiedade. Os hormônios envolvidos no estresse aumentam a secreção de ácidos no estomago, causando a gastrite nervosa (já ouviu falar?), ulceras e no intestino constipação, diarreia e em casos de estresse constante, até doenças inflamatórias como a doença de Chron. Você vai ao medico e ele prescreve uma medicação para a sua enxaqueca ou um antiácido, no intuito de melhorar o sintoma, mas não a causa. Além dessas alterações funcionais que citamos, o organismo também sofre alterações estruturais.

Você poderá apresentar o que chamamos de “Dismetria Funcional”, ou seja, observará um ombro mais baixo que o outro, as suas patelas não estão exatamente na mesma linha e algumas pessoas acham que tem uma perna mais curta que a outra. Esse desequilíbrio muscular pode ser a causa de uma tendinite crônica e até da formação de um quadro de artrose. É como se você estivesse travado nessa situação, e nada vai ser resolvido se você não corrigir essa “dismetria”.

Hoje existem tratamentos que corrigem essa dismetria, iniciando um processo de auto regulação do organismo, fazendo com que as alterações constatadas gradualmente retomem ao seu equilíbrio, do ponto de vista neurológico, psíquico e físico. Além de que, associada a uma melhora da qualidade de vida, certamente contribuirá para que seu organismo fique mais capacitado a reagir aos fatores estressores que temos diariamente, diminuindo a possibilidade de aparecerem novos problemas de saúde.

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Matéria Por

Marcelo Kodja Daguer

Ortopedia e Traumatologia

CRM/SC 7670 | RQE 2621 | Balneário Camboriú

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