Vamos conversar sobre a Fibromialgia?

MEDICINA DA DOR

Vamos conversar sobre a Fibromialgia?

A Fibromialgia, ou melhor definida como Síndrome Fibromiálgica, é uma doença reumática extra-articular não- -inflamatória, de causa multifatorial e ainda não totalmente conhecida, que acomete vários tecidos moles do corpo (músculos, tendões e ligamentos), caracterizada principalmente pelo quadro persistente de dor difusa por todo o corpo, com duração superior a seis meses, associada a vários outros sintomas clínicos além da dor, sendo os mais frequentes: fadiga muscular persistente; sensação de cansaço físico constante; alterações na qualidade do sono, como sono não restaurador (sensação de já acordar cansado mesmo tendo dormido a noite toda), insônia, apnéia do sono e síndrome das pernas inquietas; alterações cognitivas, como perda de memória, dificuldade de concentração e raciocínio prejudicado; cefaléia persistente; rigidez articular matutina; alterações no hábito intestinal (diarréia e/ou obstipação); e alterações importantes do humor, com sintomas depressivos e/ou ansiosos intensos.

A fibromialgia está presente em torno de 5% da população adulta mundial, pode acometer ambos os sexos, sendo mais frequente nas mulheres (até 10 vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens) e mais grave nos homens (sintomas mais intensos e tratamento mais difícil) e os sintomas aparecem principalmente entre os 20 e os 50 anos de idade, com grande impacto na fase de vida produtiva dos pacientes. O diagnóstico da Fibromialgia é essencialmente clínico, e só é possível de ser confirmado através de uma consulta médica bem realizada onde, através da anamnese e do exame físico, possa ser comprovado a presença de pelo menos onze tender points (ou pontos dolorosos), de um total máximo de dezoito possíveis, difusos pelo corpo bilateralmente, localizados na região cervical (nuca), nos ombros, no tórax anterior (região clavicular e paraesternal), no tórax posterior (região escapular), nos cotovelos, no quadril, nas nádegas e nos joelhos, associados com os inúmeros outros sintomas.

Não existe nenhum exame complementar específico que possa comprovar o diagnóstico da Fibromialgia, sendo que todos os exames laboratoriais (de sangue e de urina) e também todos os de imagem (ultrassom, tomografia e ressonância) não mostram nenhuma alteração evidente. Portanto, é muito importante que o médico valorize a história clínica de dor relatada pelo seu paciente e tenha a consciência de que, mesmo não sendo encontrada nenhuma alteração em todos os exames complementares possíveis, a Fibromialgia existe e pode prejudicar muito a qualidade de vida do seu paciente e das pessoas com quem convive, podendo até mesmo incapacitar para as atividades habituais diárias.

Assim como qualquer outra doença reumática, a Fibromialgia também não possui cura definitiva, mas é possível que, através de um tratamento global contínuo, o paciente entre em remissão, ou seja, que haja uma redução significativa da dor e uma melhoria importante da qualidade de vida. Pelo fato da Fibromialgia ser uma síndrome dolorosa, onde predomina os sintomas dolorosos mas estes também estão associados a vários outros sintomas, o tratamento tem como objetivo não somente o alívio da dor, mas também a melhora da qualidade do sono, a manutenção ou restabelecimento do equilíbrio emocional, a melhora do condicionamento físico com redução da fadiga, e o tratamento específico de desordens associadas.

Portanto, tão importante quanto o uso dos medicamentos (e existe um arsenal imenso de possíveis opções de medicamentos que podem ser utilizados), é necessária uma mudança gradativa no estilo de vida do paciente, onde não podem faltar: a atividade física constante, a dieta saudável balanceada, os hábitos adequados de sono, e as medidas para redução do estresse. A Fibromialgia, assim como todas as outras causas de dor crônica, pode ser aliviada significativamente e gerenciada de maneira saudável pela Medicina da Dor, a especialidade médica dedicada exclusivamente ao alívio da dor e a melhoria da qualidade de vida perdida pelo paciente que já sofre com a dor há tanto tempo. Portanto, não perca o seu tempo, não atrase o seu diagnóstico e não comprometa o seu tratamento, procure diretamente por um médico que seja especialista no assunto, que realmente saiba muito bem como diagnosticar e tratar a sua dor.

Ver perfil

Matéria Por

Fábio Trevisan

Anestesiologia

CRM/PR 18564 | RQE 19669 RQE 12560 | Londrina

Deixar Comentário