PSICOLOGIA

Uma compreensão profunda dos conflitos conjugais

Conflitos sérios e persistentes em um relacionamento exigem ajuda profissional. Procure atendimento em terapia de casal. Tipicamente, durante um conflito conjugal, cada um dos parceiros tende a responsabilizar o outro pelos problemas experimentados. Nessa perspectiva, a própria participação é diminuída, e as ações são relativizadas, relacionando-as a fatores externos (“eu estou nervoso porque o trabalho estava muito estressante hoje!”), enquanto a participação do outro é realçada, e explicada a partir de fatores internos (“você não faz nada direito porque é irresponsável!”).

Essa perspectiva julgadora favorece a visão distorcida de que a causa dos problemas conjugais é sempre o outro e, portanto, a responsabilidade pela mudança fica também localizada apenas no outro. No entanto, outras variáveis importantes influenciam a ocorrência dos conflitos conjugais. Para entendermos melhor os problemas vivenciados, podemos recorrer ao modelo DEEP (“profundo”, em inglês), um acrônimo que destaca quatro elementos que permeiam os conflitos conjugais. São eles: as Diferenças, as Sensibilidades Emocionais, as Circunstâncias Externas e o Padrão de Comunicação.

Imaginemos um casal que vivencia problemas relacionados ao tema de confiança-insegurança. Ela exige que ele sempre relate onde está e com quem está, e assim faz inúmeras cobranças e solicitações, enquanto ele é mais independente e raramente age da mesma forma. Tais diferenças existem devido ao complexo arranjo das histórias genéticas e de interação social de cada um, desenvolvidas ao longo da vida. No início, ele via esse comportamento dela como uma preocupação natural, e ela o interpretava como alguém seguro.

No entanto, tais diferenças começaram a serem vistas como deficiências quando ela passou a enxerga-lo como insensível, e ele passou a enxerga-la como controladora. Essas diferenças podem esbarrar em sensibilidades emocionais, quando ela é vulnerável a sentir-se rejeitada diante de qualquer contato dele com outras pessoas, e ele é vulnerável a sentir-se asfixiado diante de qualquer exigência da parte dela. Essa situação pode ficar ainda mais agravada diante de circunstâncias externas, quando por exemplo ele necessita viajar com frequência a trabalho, e ela fica em casa, numa cidade com poucos amigos.

Essa combinação leva a um padrão de comunicação danos quando divergem sobre as questões relacionadas ao seu tema, e assim ambos engendram esforços para mudarem o comportamento um do outro, ela pedindo que ele passe mais tempo junto com ela e ele querendo que ela seja mais independente, o que os leva a ficarem afastados e em campos opostos. Finalmente, isso resulta em uma armadilha mútua, na qual ambos se sentem presos em seu conflito, após terem tentado fazer todo o possível para mudar o outro (porém sem sucesso), permanecendo infelizes, e indiferentes ao sofrimento um do outro.

Agora, reflita sobre um conflito central existente em seu relacionamento e pergunte-se: de que modo as diferenças contribuíram para o desenvolvimento desse conflito central? Como as sensibilidades emocionais de cada um de vocês intensificaram as reações emocionais sobre o conflito central? Como as circunstâncias externas criaram um contexto desfavorável relacionado ao conflito central? Qual é o padrão de comunicação problemático de vocês ao lidarem com o conflito central? Conflitos sérios e persistentes em um relacionamento exigem ajuda profissional. Procure atendimento em terapia de casal.

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Matéria Por

STÉLIOS SANT’ANNA SDOUKOS

Psicólogo

CRP-08/13140 | Apucarana

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